Lembrando dos alunos com os quais desenvolvi o curso Aprendendo a Aprender, não posso deixar fora dos meus relatos a história de um menino que vamos chamar de Marquinhos. Quem me procurou foi uma de suas avós quando ele estava com 12 anos cursando a 6ª série do Ensino Fundamental em uma escola particular da cidade onde residiam e, em vias de ser reprovado.
Nosso 1º encontro previsto para ter a duração de 2 horas, uma meia hora para conversar com a avó e o restante do tempo destinado ao trabalho com o menino. Minha previsão de distribuição do tempo não se confirmou, durante 01h30min a avó relatou os problemas que seu neto enfrentava.
Resumindo a história da vida desse menino, seus pais se separaram, cada um iniciou uma nova relação e os dois filhos gerados durante o período em que estavam juntos foram entregues para a avó materna que cuidava, educava e sustentava as duas crianças. O pai não aparecia já fazia alguns anos e a mãe visitava os filhos umas duas vezes por ano e ficava uns dois ou três dias de cada vez.
Após a saída da avó, olhei para o menino encolhido na cadeira, com o rosto tenso e as mãos segurando com força a pasta com o seu material escolar. Falei que eu já tinha uma opinião; “quem tinha problemas eram os seus pais e não ele, e que não deveria carregar os problemas que não eram dele”. Iniciamos o trabalho previsto no curso Aprendendo a Aprender e concluído o período de duas horas o menino foi para casa.
No outro dia a avó me procurou para saber o que eu tinha feito com o menino, após a nossa aula ele foi para casa e pela 1ª vez fez seus temas e estudou para uma prova. A avó pedia para ele fazer seus temas diariamente e ele jamais a havia atendido.
Expliquei que eu havia dito que quem tinha problemas eram seus pais e não ele, por causa disto sua auto-estima havia melhorado. Durante o desenrolar do nosso trabalho sempre procurei provar a ele a sua capacidade, inteligência, rapidez de raciocínio. Acreditei nele e ele correspondeu a minha expectativa.
Entretanto, a avó não se convenceu com minha explicação. Ela questionou meus familiares querendo saber o que eu fazia para conseguir mudar o comportamento de um adolescente de forma tão rápida. Na verdade, conseguir obter mudanças comportamentais pode ser sim, muito rápido, muito simples, basta acreditar na capacidade do outro, estimular de forma positiva e desafiar até onde ele possa alcançar. Importantíssimo é lembrar que precisamos ser congruentes na nossa fala, jamais conseguiremos obter mudanças se não acreditamos naquilo que falamos. Também devemos ter presente que nossos estudantes não almejam obter péssimos resultados, se isto acontece é porque alguma coisa está errada e o erro pode estar em nós educadores.
Concluindo, o Marquinhos foi aprovado no final daquele ano letivo.
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