Quando a mãe do João (nome fictício) me ligou disse que o meu trabalho era a última esperança para conseguir ajudar seu filho então com 20 anos e prestando vestibulares para o curso de Medicina Veterinária. A mãe, professora de Física e Matemática em uma escola de Ensino Médio, complementou dizendo que tinha certeza que o filho dominava muito o conteúdo das matérias do vestibular mas ele não conseguia ser aprovado.
João morava em outro município e viajava cerca de duas horas para chegar a Ijuí, onde ele caminhava mais uns 30 min. para chegar a minha casa. Ao iniciar o trabalho solicitei os índices de aproveitamento obtidos nos últimos vestibulares que havia prestado. Com pesar ele explicou que não possui os índices de acertos nas diferentes matérias do vestibular, pois ele não conseguia sequer ler as questões das provas, tal era o seu nervosismo. O próximo vestibular que ele prestaria seria no final do mês de Julho e, estávamos no inicio do mês de Maio, portanto dispúnhamos de cerca de três meses.
O que poderia fazer pelo João nesses três meses? Lembrei de uma passagem escrita pelo PhD Daniel Golemann em seu livro Inteligência Emocional, onde ele relata o “branco” que lhe aconteceu em uma prova de Matemática, quando estava no ensino Médio. Outro aspecto foi a informação que sua mãe havia passado. Considerando o pouco tempo somado às informações sobre a situação do João, optei em priorizar a reconstrução de sua auto-estima e, em segundo plano revisar conteúdos e prepará-lo para o próximo vestibular.
O que poderia fazer pelo João nesses três meses? Lembrei de uma passagem escrita pelo PhD Daniel Golemann em seu livro Inteligência Emocional, onde ele relata o “branco” que lhe aconteceu em uma prova de Matemática, quando estava no ensino Médio. Outro aspecto foi a informação que sua mãe havia passado. Considerando o pouco tempo somado às informações sobre a situação do João, optei em priorizar a reconstrução de sua auto-estima e, em segundo plano revisar conteúdos e prepará-lo para o próximo vestibular.
Iniciamos o trabalho propriamente dito. Expliquei-lhe o processo de resgate das informações pela memória funcional e a interferência das emoções em seu processamento. Sua tarefa ao voltar para casa seria responder questões de vestibulares passados, da mesma universidade, corrigir os seus acertos nos gabaritos, transformar em porcentagem e transpor estes resultados para uma tabela onde constavam todas as matérias que cairiam no vestibular. Este trabalho deveria se feito, preferencialmente em seu quarto, sozinho, em silêncio e sem relógio.
No segundo encontro ele me trouxe seus primeiros resultados e, como eu suspeitava, todos eles com altos índices de acertos. Continuamos na mesma linha de ação. A cada novo encontro o João me trazia novos resultados de exercícios feitos em sua casa. À medida que ele respondia vestibulares passados, estava revisando e fixando conteúdos. Paralelamente construímos uma metodologia de estudo adequada às suas características pessoais e iniciamos uma etapa de extrema importância para o vestibular, compreender o significado de estar em um estado de vigília relaxada e treinar a capacidade de produzir este estado nas mais diferentes situações. Esta habilidade é o instrumento que ele teria, na hora do vestibular para contornar ou amenizar a interferência do nervosismo na hora das provas possibilitando desta maneira, o resgate das informações que seu cérebro possuía.
Num de nossos últimos encontros ele me falou a seguinte frase: “professora, eu sabia que tinha domínio sobre o conteúdo, mas não sabia que era tanto”. A partir daí tinha certeza que a auto-estima havia sido resgatada, ele havia descoberto qual sua real capacidade de desempenho, graças aos exercícios feitos na tranqüilidade de seu quarto, sem sofrer nenhuma pressão.
No nosso último encontro somamos os índices de acertos de cada matéria, fizemos as médias e ele as memorizou. Antes de iniciar as provas ele deveria fazer o exercício de relaxamento que o auxiliaria a entrar num estado de vigília relaxada e lembrar o índice de acertos que havia obtido nesta matéria, quando não estava sob pressão, que era sua real capacidade de desempenho.
João me ligou após o vestibular, estava entre os primeiros colocados no vestibular da UDESC de Santa Catarina para o curso de Medicina Veterinária e, suas aulas iniciariam dentro de alguns dias. Resgatamos a auto-estima e organizamos as emoções envolvidas num vestibular em menos de 90 dias.
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