quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

UM POUCO DA HISTÓRIA DE HENRIQUE MONTAGNER ZAUK

Formado em Gastronomia e atuando no restaurante de um conceituado hotel da Serra Gaúcha, Henrique Montagner Zauk, hoje com 21 anos, embarca para a Itália no próximo dia 1 de março de 2012. Seu destino é a cidade de Asti onde permanecerá por 6 meses em curso de aperfeiçoamento. Durante 8 meses estudou a língua Italiana que, hoje domina com fluência. Conversando com o Henrique descobrimos seus projetos futuros, aprender Inglês e continuar a se aperfeiçoar em outros cursos de gastronomia Internacional.
Esta seria uma história normal para qualquer jovem de sua idade, mas o Henrique foi diagnosticado portador do Transtorno de Déficit de Atenção – Hiperatividade (TDAH) e, apesar do diagnóstico, hoje é uma pessoa realizada, que faz o que gosta e, com certeza, tem um futuro brilhante pela sua frente.
O que fez com que o Henrique encontrasse o seu caminho, com certeza foi um conjunto de ações que lhe facilitaram passar pelo Ensino Fundamental e Médio. A família foi fundamental nesse processo, pois nunca desistiu em ajudar, em subsidiar, em persistir, para vencer as inúmeras dificuldades. Médicos, Psicólogos, Pedagogos, Professores, especializados no assunto, informados das dificuldades, formaram, em conjunto com a família, uma equipe multidisciplinar que contornou os problemas, amenizando os impactos negativos do TDAH e vislumbrando possibilidades e potencialidades do Henrique.
Em 19 de fevereiro de 2004, forneci para a família o Parecer Descrito e as Sugestões abaixo. Através destes temos uma visão do que consistia a escolaridade do Henrique.

Henrique Zauk
7ª série do Ensino Fundamental

PARECER DESCRITIVO

O Henrique é um menino com Transtorno de Déficit de Atenção – Hiperatividade, diagnosticado e recebendo tratamento médico, psicológico, assessoria pedagógica e aulas particulares.
O tempo em que ele permanece em uma atividade, na maioria das vezes é bastante curto. Entretanto, em certas ocasiões, sua capacidade de concentração é normal, conseguindo estudar e aprender como qualquer criança.
Possui facilidade para realizar atividades práticas, mostrando criatividade para encontrar soluções quando desafiado a executar uma tarefa.
Desenvolve com perfeição o raciocínio lógico-matemático e consegue elaborar raciocínios lingüísticos muito claros para expressar suas idéias, quando sua concentração o permite.
Quando se vê diante de um número muito grande de atividades teóricas se desespera e sua produção cai sensivelmente. Chora com freqüência para fazer os temas, pois se julga incapaz de dar conta de tudo o que lhe é solicitado. Demonstra muita preocupação com relação a seu rendimento escolar e sofre por não conseguir atender satisfatoriamente o que os professores lhe pedem.
É importante mencionar que o Henrique possui uma grande capacidade de conquistar pessoas, de relacionar-se e tem facilidade em comunicar-se. Se solicitado a ajudar em qualquer tarefa que não lhe exija concentração por longo tempo, sempre estará pronto a cooperar.
É amante e observador da natureza, demonstra respeito e carinho pelos animais e plantas. Tem consciência da necessidade de preservação do meio ambiente.
O Henrique já possui sérias lacunas na sua auto-estima, causadas pelas inúmeras dificuldades em sua aprendizagem. Conseguir uma boa nota em uma prova é para ele um desafio muito grande e quando acontece é muito festejada. Entretanto, até o momento, a “escola” lhe deixou mais marcas de sofrimentos e tristezas do que de vitórias a comemorar.
           
Henrique Zauk
7ªs. Ensino Fundamental

SUGESTÕES
Sugiro que sejam fornecidos conteúdos e exercícios em pequenas porções, uma após a outra. Isto auxilia significativamente as crianças hiperativas a vencerem todas as etapas propostas, sem se desesperarem. Elas são capazes de passar por todo o conteúdo quando o recebem em pequenas partes acompanhadas de estímulo e orientações contínuas.  Isto facilita sua concentração.
As crianças hiperativas não deveriam receber um livro, mas sim, a cada aula, uma ou duas páginas do mesmo. Elas não deveriam ter caderno, mas receber folhas com os exercícios impressos bem como acompanhamento para o arquivamento destes conteúdos em pastas, após lidos, sublinhados e respondidos.
Outro fato importante a ser considerado é que os hiperativos têm dificuldades em resgatar informações das aprendizagens anteriores, registradas em seu cérebro. A memória funcional com a qual se efetua este resgate é acionada após a impulsividade. Por isso, a criança hiperativa tem dificuldade em aprender com seus próprios erros.  Isto acarreta uma série de necessidades e comportamentos diferenciados em sala de aula.
Não basta dar uma ordem ou uma instrução uma única vez, é necessário repetí-las continuamente. É preciso chamar sua atenção, orientar e corrigir a todo momento. Quando o hiperativo percebe que tem ao seu lado alguém disposto a orientá-lo sempre que necessário, de forma tranqüila e serena, se sente seguro e isto faz com que seu estudo renda mais e melhor.
Criar possibilidades para explorar os órgãos dos sentidos de formas variadas, podem auxiliar o Henrique a compreender e registrar novas informações. 
Para uma criança hiperativa seria de extrema valia, por exemplo, receber os conteúdos, além de impressos, também gravados.  Se para ela, em determinados momentos é difícil ler e escrever, poderá ser mais fácil e mais agradável ouvir sobre um determinado conteúdo.
Outro instrumento muito rico que pode auxiliar o hiperativo é o computador. É muito cansativo para ele escrever páginas e páginas no caderno, podendo não sê-lo se digitar parte do conteúdo no computador.
A capacidade de aprender de um hiperativo, na maioria das vezes é igual ou maior do que a das outras crianças.
Penso ser necessário e justo oportunizar métodos variados de avaliação para possibilitar uma observação mais ampla das reais aprendizagens do Henrique. Considerando suas dificuldades em se manter concentrado e de lidar com o resgate de informações através da memória funcional, avaliá-lo exclusivamente através do método tradicional de responder provas, poderá ser insuficiente e injusto.
O Henrique necessita da ajuda do professor, sob a forma de estímulos e orientações também durante a avaliação, para que consiga desenvolver um mínimo de concentração. 
É necessário salientar que a criança hiperativa tem necessidade de ser avaliada continuamente.  É importante que toda vez que realizar uma tarefa, receba o parecer imediato do professor. Ela se sentirá estimulada a realizar a próxima ou refazê-la caso estiver errada.
Considero a avaliação continuada da criança hiperativa como um dos principais recursos que o professor dispõe para lidar, com resultados positivos, com a hiperatividade em sala de aula. 
Contato permanente entre cada professor e a família é outro recurso absolutamente indispensável.  Isto servirá de apoio mútuo para encontrar maneiras de superar, gradativamente, as dificuldades que surgirem na educação do Henrique.  Servirá também para que ele se sinta mais seguro, pois todos falarão a mesma linguagem sobre o assunto.
Adultos que convivem com crianças hiperativas precisam aprender a distinguir entre dois comportamentos: quando não executam uma determinada tarefa porque não conseguem ou quando se utilizam de suas dificuldades para fugir do que lhes seria possível realizar.  O contato permanente entre professores e pais auxiliará a ambos terem esta clareza.
Também é importante ter certo cuidado para não expô-lo diante de seus colegas. Quanto mais se puder evitar taxar o Henrique como sendo “diferente”, melhores serão os resultados na construção do seu conhecimento e da sua personalidade. 
Possibilitar momentos em que possa se ausentar da sala de aula, determinando o período em que pode permanecer fora da mesma, será de extrema valia para ele. Sua capacidade de concentração melhorará depois de alguns minutos de “passeio” pelo corredor.
O elogio, o estímulo positivo, o incentivo para que faça “apenas mais um pedacinho da tarefa”, o carinho e a compreensão são, sem margem de dúvida, os melhores instrumentos didáticos para ensinar algo a um hiperativo.
O Henrique, como toda criança hiperativa, necessita de profissionais com os quais mantenha uma relação baseada no afeto. Qualquer pessoa que conviver com ele e souber gostar dele terá, com certeza, conquistado um “grande amigo”.


Parabéns Henrique por todas as vitórias alcançadas e votos de muito, muito sucesso.







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