“Eu conto quantos parabéns tem no meu caderno”
PARECER DESCRITIVO
Este Parecer Descritivo se refere à menina que chamo
de Marta. Na publicação anterior descrevi o seu desenho da escola. Quando
trabalhei com ela, estava com 8 anos, cursava a 2ª série do Ensino Fundamental
em uma escola particular e apresentava dificuldades de aprendizagem da leitura.
Após conhecer um pouco dos sentimentos da Marta em
relação ao universo escolar passei a trabalhar questões relacionadas à
linguagem, tanto na escrita quanto na leitura.
A Marta demonstra pleno conhecimento de todas as
vogais e consoantes, bem como da metodologia de construção da palavra.
Entretanto, quando solicitada a ler, demonstra ter ainda uma deficiência na
leitura.
Palavras compostas de sílabas de duas letras,
combinando uma consoante e uma vogal, como “parede”, “janela”, “capivara”, lhe
são relativamente fáceis. Suas
dificuldades iniciam quando se apresentam palavras compostas de sílabas de três
letras. Entretanto, se nestas palavras aparecem sílabas compostas de uma
consoante e duas vogais, como “madeira”, “relógio” “rádio”, o índice de acertos
ainda é maior se comparado com palavras de sílabas de três letras onde se
combinam duas consoantes e uma vogal, como “flor” “vidro” “claro”. Também
apresenta dificuldades com o “lh”, “nh”, “ão”, “gue”, “ge”, etc.
Um aspecto interessante a ser observado é que quando
se solicita para a Marta soletrar como se escreve uma palavra, o faz de maneira
rápida e com um menor índice de erros.
Isto demonstra que compreende o processo, mas apresentando falhas na
elaboração de respostas lidas ou escritas.
Igualmente
importante é salientar que em alguns momentos a Marta lê e escreve frases
inteiras sem cometer erros, mostrando que sua dificuldade também reside em
automatizar a habilidade de ler e escrever.
Um
aspecto de fundamental importância a ser considerado é a autoestima da Marta,
já bastante abalada pelo fracasso escolar.
Quando perguntada do que mais gosta de estudar, procura em seu caderno
os cálculos de matemática onde há um “parabéns” escrito pela professora ao lado
de um acerto. Comenta: “eu conto quantos parabéns tem
no meu caderno” e conclui dizendo baixinho: “eu
tenho muito poucos parabéns”. Desta forma, percebe-se que o insucesso na
aprendizagem da leitura já lhe deixou marcas.
Quando diz “não quero repetir a série”, nos
fala de sua dor em ser castigada por um erro que não cometeu.
Lori Sostmeyer Polita - Pedagoga
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