segunda-feira, 17 de setembro de 2012



  “Eu conto quantos parabéns tem no meu caderno”

                                   

                                    PARECER DESCRITIVO

Este Parecer Descritivo se refere à menina que chamo de Marta. Na publicação anterior descrevi o seu desenho da escola. Quando trabalhei com ela, estava com 8 anos, cursava a 2ª série do Ensino Fundamental em uma escola particular e apresentava dificuldades de aprendizagem da leitura.
Após conhecer um pouco dos sentimentos da Marta em relação ao universo escolar passei a trabalhar questões relacionadas à linguagem, tanto na escrita quanto na leitura.
A Marta demonstra pleno conhecimento de todas as vogais e consoantes, bem como da metodologia de construção da palavra. Entretanto, quando solicitada a ler, demonstra ter ainda uma deficiência na leitura.
Palavras compostas de sílabas de duas letras, combinando uma consoante e uma vogal, como “parede”, “janela”, “capivara”, lhe são relativamente fáceis.  Suas dificuldades iniciam quando se apresentam palavras compostas de sílabas de três letras. Entretanto, se nestas palavras aparecem sílabas compostas de uma consoante e duas vogais, como “madeira”, “relógio” “rádio”, o índice de acertos ainda é maior se comparado com palavras de sílabas de três letras onde se combinam duas consoantes e uma vogal, como “flor” “vidro” “claro”. Também apresenta dificuldades com o “lh”, “nh”, “ão”, “gue”, “ge”, etc.
Um aspecto interessante a ser observado é que quando se solicita para a Marta soletrar como se escreve uma palavra, o faz de maneira rápida e com um menor índice de erros.  Isto demonstra que compreende o processo, mas apresentando falhas na elaboração de respostas lidas ou escritas.
Igualmente importante é salientar que em alguns momentos a Marta lê e escreve frases inteiras sem cometer erros, mostrando que sua dificuldade também reside em automatizar a habilidade de ler e escrever.
Um aspecto de fundamental importância a ser considerado é a autoestima da Marta, já bastante abalada pelo fracasso escolar.  Quando perguntada do que mais gosta de estudar, procura em seu caderno os cálculos de matemática onde há um “parabéns” escrito pela professora ao lado de um acerto. Comenta: “eu conto quantos parabéns tem no meu caderno” e conclui dizendo baixinho: “eu tenho muito poucos parabéns”. Desta forma, percebe-se que o insucesso na aprendizagem da leitura já lhe deixou marcas.  Quando diz “não quero repetir a série”, nos fala de sua dor em ser castigada por um erro que não cometeu.


Lori Sostmeyer Polita - Pedagoga 

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